9 de maio de 2018

Últimas vezes

A aproximação da escola primária está cada vez mais evidente. Os colegas fazem seis anos, um após outro, estão já todos tão crescidos e desembaraçados. Já nem parecem os mesmos bebés quando tinham acabado de fazer três anos (sim porque olhando agora, aos três anos ainda têm muito de bebés... :) )

Reunem-se os documentos para efetuar matrícula na escola dos grandes, pagam-se as últimas mensalidades do jardim de infância. Faltam 9 mensalidades, faltam 6 e agora faltam só duas e já nem o calendário de férias fomos obrigados a preencher... Julho será o  fim desta era, já não há bebés nesta casa, não haverá lanche dado pela escola, nem liberdade para brincar até cair para o lado. Teremos de pensar nos horários novos, na organização desta gestão diária de escola-atividades-lazer-deveres.

A minha cabeça parece um permanente jogo de xadrez, sempre a antecipar jogadas, sempre a antecipar os compromissos com semanas de antecedência. Ver quem está disponível, combinar boleias, trazer um, trazer outro, encaixar mais um e é uma comédia, porque mais vale rir.

A partir de setembro somos todos crescidos nesta casa e eu cada vez mais nostálgica.

23 de abril de 2018

Vestido Preto

Ocasionalmente há a necessidade da minha mais velha trajar de preto, isto acontece quando tem audições e porque desde cedo se pede aos alunos que vistam a chamada "roupa de concerto". A mim não me aborrece o protocolo, sobretudo quando se tratam de ações de conjunto como atuações do coro ou orquestra, cria uniformidade em palco e evita que haja distrações com roupas mais garridas. Não me choca.
O que me surpreende é o que facto de nas lojas fast fashion, aquelas que eu me vejo obrigada a consumir, simplesmente não haver vestidos pretos fora da época do revelhão, ou seja, festa que é festa só lá pelo Natal e passagem de ano, para os restantes meses é dar-lhe com força em todas as outras cores do arco-íris.
Ora então o que eu preciso é de um vestido preto de meia-estação e que seja ligeiramente comprido (abaixo do joelho) para a criança tocar o violoncelo minimamente confortável, mas pelos vistos estou a pedir demasiado, porque a verdade é que não há nada disto à venda. Se virem por aí um modelito que corresponda mais ou menos a estes critérios não deixem de me dizer ok, a minha busca tem agenda para maio :)

8 de abril de 2018

E começa o 3º período



De repente estamos mesmo a começar o 3º período de aulas, mais um esticão e as férias grandes estão mesmo aí.
Estas últimas duas semanas foram óptimas em vários aspectos, os miúdos descansaram bastante das obrigações do dia-a-dia. Fomos à noite à Feira de Março com um grupo de amigos que já não víamos há muito tempo, foi tão bom que ficámos na feira até começarem a desligar as máquinas. Os miúdos eufóricos e nós entrámos na onda que até de carrinhos de choque andámos com os miúdos à nossa boleia.
Terminado o campo de férias os miúdos passaram uns dias com os avós do Minho, divertiram-se imenso mesmo com a quantidade de chuva que caiu (e ainda cai, que já não se aguenta!). Com os miúdos fora demos por nós a revirar a nossa vida. Sem que nada o fizesse prever vamos entrar agora numa nova fase profissional. Passados 7 anos e meio como colegas de trabalho, vamos agora separar-nos e abraçar novos projetos profissionais o que nos vai obrigar a reestruturar toda a nossa dinâmica familiar. Todos estes anos foram vividos 24x24h sempre a partilhar cada momento, cada arrelia, cada refeição e a partir de agora vamos passar a ter uma "vida normal" onde eu estarei mais por aqui e ele estará mais fora onde o reencontro será apenas ao fim da tarde. Embora já tivéssemos as nossas rotinas muito bem oleadas e só pontualmente precisássemos de ajuda, a verdade é que se calhar a partir de agora os miúdos terão de ser mais expeditos em determinadas alturas do dia e o facto de já estarem tão crescidos acreditamos que serão mais cooperantes perante os desafios que aí vêm e que eles já estão a par.
Trabalhar por conta própria é muito bom mas por vezes (se calhar quase sempre) nos traz momentos extremamente desgastantes e viver este estilo de vida em Portugal não é propriamente um mar de rosas... Estar agora, aos 40, a criar algo novo para um parceiro comercial já de anos é um desafio que temos a certeza que vai dar muito gozo e que aliado às responsabilidades continuaremos a ter nos traga também outras tranquilidades das quais se calhar já nem nos lembrávamos que existiam.

Este último período de aulas será uma pequena roda-vida de acontecimentos, o mais novo vai terminar o jardim de infância. Basicamente faltam apenas 3 meses para largar aquela rotina certinha, o aconchego das educadoras, a comida feita na escola, o lanche e todas as brincadeiras  dos últimos 5 anos. Como passou tão rápido o tempo... Neste último período de escola teremos ainda muitos testes, provas, audições. Vamos ter casamentos, festas de aniversário, compromissos profissionais diversos, amigos que regressam de longe, muitos convívios, jantaradas, concertos e programas familiares. Tenho sempre milhões de planos, percursos de bicicleta para fazermos com os miúdos, caminhadas, exposições. Por mim já tinha os próximos 12 fins-de-semana completamente preenchidos mas vamos lá ver se sobra um ou outro para algum momento espontâneo :D

Daqui a nada estamos em julho e depois agosto e esta família sempre com o acelerador a fundo, portanto se não nos virmos muito por aqui já sabem, estamos noutro qualquer lugar em rotação máxima!

15 de março de 2018

Entre a vontade e a consciência


Recorrentemente, e cada vez com maior frequência, debatemos a possibilidade de acolhermos um cão ou um gato. Tanto eu como o pai, já tivemos cães e gatos (eu só tive um gato) quando éramos miúdos e estamos de acordo com o facto de que ter um animal de companhia é um mix de emoções e que despertam o lado bom de cada um de nós. Há uns anos tivemos uma gata, mas com a chegada de um bebé e perante o perfil agressivo do animal tomámos a decisão de oferecer a gata a uma amiga da família. Diga-se que a mudança fez maravilhas à gata, que passou de um apartamento a dominar um vasto quintal podendo libertar à vontade a sua energia e agressividade inatas.
Após eu ter jurado a pés juntos que jamais teria outro animal (porque fiquei com imensos remorsos), ultimamente tenho dado uma segunda oportunidade a essa minha vontade. As crianças beneficiam imenso da companhia de um animal, sobretudo se for um cão. Eu não sou uma "dog-person" mas gosto deles e tenho muita vontade de conviver mais de perto com um, no entanto, tenho algumas reservas...
Ter um cão, para mim, é quase como ter outro filho. São criaturas que dependem imenso das pessoas e se vivermos num apartamento a logística complica-se exponencialmente. Atenção que eu conheço variadíssimos casos de sucesso de cães de grande porte em apartamentos, mas para mim não dá. Mesmo grande ou pequeno, seria eu generosa e altruísta o suficiente para a rotina dos xixis e cocós? Eu bem vejo os meus vizinhos, pela meia-noite ou cedíssimo de manhã, à chuva, ao vento, com frio ou calor à espera do cocó. Sendo eu uma pessimista tenho uma triste tendência para ver primeiro os pontos negativos de qualquer decisão e à semelhança da questão das necessidades básicas fisiológicas, não poderia deixar de pensar na questão dos fins de semana que passamos fora, ou mesmo as férias. É certo que há soluções para tudo, levamos os animais connosco e fazemos figas para que os aceitem nos sítios onde vamos, ou então calha a "fava" à família próxima que fica a fazer babysitting... Ter um animal de companhia envolve também uma fatia do orçamento e certamente (também) por isso há em Portugal uma enorme e vergonhosa taxa de abandono animal. Jamais poderíamos adoptar um animal se equacionássemos em permanência os gastos veterinários e de alimentação, mas há certamente quem se esqueça desse pormenor quando se enamora por um cachorro ou gatinho que vê para dar.

Foram já algumas vezes que eu fui travada para não trazer um cão vadio para casa, vá-ri-as! Quando vejo um animal, nunca me lembro do copo meio vazio, das despesas, das prisões, pelo contrário, penso sempre no bem que faria essa convivência aos meus filhos. Não quão fantástico é sentirmo-nos amados por um animal irracional que vibra com a nossa presença mesmo que tenhamos virado costas há 5 minutos. Este amor à prova de bala é emocionante e com frequência me leva a vacilar nas minhas certezas... um dia creio que isto irá acontecer, mas não será já, infelizmente.

12 de março de 2018

Desfazer ou manter os kits de brinquedos? Eis a questão!

Eu tenho para mim que há dois tipos de pessoas no mundo: aquelas que mantém religiosamente os kits de brinquedos e aquelas que não querem saber e metem tudo na mesma caixa.
Para meu azar, eu enquadro-me no grupo dos que gostam de manter os kits separados. O kit do zoológico, o kit do quarto dos manos, o kit dos gorilas - isto no universo Playmobil! Nos legos a coisa também é mais ou menos assim, mas normalmente os kits que ficam juntos estão mesmo montados, nomeadamente carrinhos, helicópteros, casinhas e por aí fora. O que é que resulta desta organização? Resulta que isto ocupa horrores de espaço e eu começo a ficar nervosa.

A par das pessoas que gostam de manter os kits separados, há aquelas pessoas que mal vêm uma caixa quase vazia, só ficam felizes quando a virem no ecoponto, ora eu também sou esta pessoa!
Nos gavetões dos brinquedos dos meus filhos comecei a ter uma certa dificuldade em fecha-los porque havia demasiadas caixas (quase vazias) de kits de playmobis e o facto é que os miúdos nem sequer brincam muito com o Playmobil. Andei semanas a ganhar balanço, mas por fim, a minha vontade de organizar espaços cheios de nada venceu e comprei uma caixa grande e dei ordem às crianças que desmantelassem os kits, juntassem tudo e dobrassem as embalagens para seguirem para o papelão.

A primeira reação das crianças foi de horror: Não vamos desfazer os kits, mamã!! exclamaram os pequenos. Mas a decisão estava tomada e tive que ser firme. Seguimos então em frente e lentamente foi ver gorilas misturados com camas, palmeiras juntamente com cabras, guerreiros no meio de mergulhadores. Tudo na mesma caixa, tudo em alegre convívio, sem caixinhas nem aquela preocupação em verificar se não falta nada - uma libertação, foi o que foi.

Após a hesitação inicial qual foi o resultado desta mudança? O resultado foi os miúdos brincaram de uma forma muito mais livre e mais criativa com o playmobil. Embora o playmobil seja um brinquedo que eu considere bastante bom, já todos tivemos playmobis em pequenos, a verdade é que por ter kits tão estanques a brincadeira fica um pouco condicionada, o que é mau. Ao contrário do Lego, o Playmobil não é tão flexível nas suas combinações, não há kits "genéricos" por assim dizer e isso é um ponto menos positivo na hora de brincar livremente. Recordo-me de um vizinho que eu tive quando era miúda que tinha uma coleção muito grande dos cowboys, ele tinha imensa coisa, o forte, vários cavalos com índios, soldados, palheiros mas também tinha o navio pirata, mas numa prateleira à parte, ou seja, não combinava os kits embora os tivesse expostos no quarto, fiquei sempre com essa lembrança. Agora cá em casa é assim, acabaram-se as milhares de caixas, brinca-se (ainda) mais, está tudo mais arrumadinho e eu consegui passar para o lado das pessoas menos tolinhas :D

10 de março de 2018

Leitura de fevereiro - Viver com os Outros


Durante o mês de fevereiro tive a oportunidade de voltar a uma rotina que pratiquei durante muito tempo: ler no comboio. Ainda que o comboio circule ainda mais cheio do que antes, a verdade é que esta continua a ser uma boa ocasião para ler sem grandes perturbações.
A propósito deste artigo e depois este, achei que tinha de ler o livro "Viver com os Outros" de Isabel da Nóbrega. Gosto sempre de uma boa intriga e envolvendo figuras literárias a coisa melhora substancialmente quando falamos de José Saramago e a sua vida polémica. Se há quem teorize sobre a carga de influência que Isabel da Nóbrega teve na evolução de José Saramago enquanto escritor, há também que defenda que essa influência não passou de uma coincidência.

Quis então ler este livro para conhecer o estilo de Isabel da Nóbrega e não posso dizer que me desiludiu mas também não posso afirmar que me arrebatou.
A história passa-se numa única noite, um serão de verão no apartamento de Ana, onde um grupo de amigos vão conversando sobre a vida. Os temas vão passando das banalidades do dia-a-dia até atingirem maior profundidade pessoal e filosófica. Como vivemos com os outros, qual o nosso lugar no mundo, a burguesia, a liberdade da mulher portuguesa e os limites que o casamento impunha, ter ou não ter uma profissão e a independência que advinha de tal poder.
O livro é de 1964 (foi prémio Camilo Castelo Branco) e julgo que à época terá sido uma lufada de ar fresco porque todo o ambiente é descrito de forma descomplexada e sem rodeios, é efetivamente um conjunto de diálogos entre amigos uns concordantes outros discordantes mas em ambiente sereno e  educado; se fosse escrito hoje talvez disséssemos que não passa de um conjunto de lugares-comuns do quotidiano.

Ainda voltando a José Saramago, julgo que os livros que escreveu durante o relacionamento com Isabel da Nóbrega foram efetivamente os que mais gostei até até agora, nomeadamente O Ano da Morte de Ricardo Reis, O Memorial do Convento ou mesmo Levantado do Chão, mas daí a dizer que a sua escrita, tal como a conhecemos, é o resultado da influência de Isabel da Nóbrega tenho as minhas reservas pois (neste único livro que li, é certo) não consegui encontrar pontos comuns que me remetessem a Saramago... Não obstante, Viver com os Outros é um livro que recomendaria a leitura caso o encontrassem, pois o mesmo está esgotado no editor - o meu veio do OLX, confesso :)

4 de março de 2018

Vidas tristes

"Hora de jantar

Ninguém podia falar. O pai exigia silêncio. De olhos postos no televisor, comendo devagar, prestava atenção às notícias que a locutora ia apresentado. O jantar era sempre assim: o pai vendo o telejornal, os filhos comendo em silêncio, a mãe, em frenesim tardio, depois de um dia de trabalho, despachando o que houvesse a despachar para estar pronta à hora da telenovela. Ana estava bem avisada sobre a postura que devia ter durante a refeição: silêncio absoluto para não perturbar o pai e, se possível, se quisesse agradar-lhe, mostrar interesse nas notícias. Por vezes, distraía-se. Esquecida das ordens, falava com a irmã mais nova. Lúcia era habilidosa com as mãos. Para controlar a ansiedade que o silêncio imposto lhe causava, tinha o hábito de fazer dobragens com as folhas translúcidas dos guardanapos. À hora do jantar, saiam das suas mãos cravos, nenúfares, pequenas rosas.


- Que rosinha tão linda!
- Gostas?
- Ensina-me a fazer…
- Tu não és capaz, Ana!
- Sou sim!
- Tens sempre negativa a Trabalhos Manuais…
- Estúpida.
Riam-se. 

O pai não dizia nada quando via as filhas alegres, continuava a ver televisão, mas descaíam-lhe os cantos da boca, os olhos ficavam gelados. Carlos, o filho mais velho, chumbara já duas vezes no curso de Direito, era um desgraçado, nunca seria ninguém na vida, as raparigas, via-se bem, iam pelo mesmo caminho. Duas filhas, duas ignorantes que se deslumbravam com flores de papel em vez de se interessarem pelas notícias do mundo. A mãe, aflita, temendo que a desilusão do marido se transformasse em raiva, abria os olhos. “O vosso pai está a ver o telejornal!”, acabava por dizer. Lúcia logo esmagava a flor de papel na mão. Calava-se. Ana fingia não ouvir, mas, quando o pai por fim a mandava calar, desprezo na voz, calava-se também. Aquilo custava-lhe. Sentia então raiva, fazia por se controlar, não podia responder, a resposta poderia desencadear reacções violentas no pai. Ana, nesses instantes, assustava-se: pressentia que se tivesse ao seu alcance uma pedra, uma faca bem afiada, mataria o pai. Mexia com o garfo o arroz branco no prato. Não gostava de arroz branco, mas em casa, para além das batatas a acompanhar o peixe cozido, apenas se comia arroz, sempre branco, sempre cozido em água e sal. O pai só gostava de arroz branco. Observava os azulejos das paredes, a mãe, numa azáfama, de volta do fogão e do lava-loiças. Tudo era triste e desolador: o egoísmo do pai, a subserviência da mãe, a violência contida em cada gesto à hora de jantar.
Passados alguns anos, já Ana e Lúcia eram adolescentes, Carlos saíra de casa para viver num quarto alugado, o pai – talvez por sugestão da mãe – passou a jantar sozinho na sala. Depois de tomar banho, de robe e pijama, sentava-se na poltrona em frente da televisão. Cheirava bem, a sabonete e champô, estava limpo, tinha mãos bonitas, um cabelo espesso, muito preto. Ana sentia vontade de se sentar ao seu lado, mas não era capaz. O pai era um estranho, um homem que vivia na mais completa solidão. Antes de começar o telejornal, a mãe levava o tabuleiro à sala: um pano lavado, o arroz na quantidade exacta, uma costeleta frita, molho sobre o arroz, a acompanhar, um copo de vinho. Voltava depois à cozinha, onde, sentadas à mesa, Ana e Lúcia a esperavam para começar a jantar. Comiam em silêncio. Estavam habituadas ao silêncio. Tudo continuava a ser triste e desolador. Só o pai, concentrado nas notícias, sem ter ninguém a perturbá-lo, parecia agradado com a mudança. A sua felicidade era evidente: estava acompanhado pelo mundo e sua gente, mas livre da família."

Texto da Ana de Amsterdam

26 de fevereiro de 2018

Há dias assim


Há dias que de tão normais, tão iguais a todos os outros, que damos por nós a questionar se a escolha da nossa rotina diária valeu o esforço de a decisão difícil de há alguns anos. Por vezes, quando atravessamos semanas de angústia esta questão torna-se ainda mais presente: terá valido a pena a troca do certo pelo incerto?

Contudo, e tal como numa relação amorosa, há certos momentos que chegam para nos demonstrar que afinal vale mesmo a pena o risco que se alinhou fazer. 
Entrar num mesmo comboio, à mesma hora de antes e cruzar-me com (algumas d)as mesmas caras com que me cruzava há anos é um exercício poderoso. O mesmo posso dizer que é difícil sair de casa a correr e ouvir os avisos de atrasos de meia-hora ou chegar à estação e ver o “meu” comboio partir do cais fazendo-me esperar 50 minutos pela próxima oportunidade de embarcar.

Sair de casa com todos a dormir, chegar a casa e metê-los na cama, passar o dia a pensar na estratégia de apanhar “aquele comboio” é algo que já estava tão distante na minha mente que só mesmo um período mais complicado me faria equacionar passar por tudo isto novamente.  E esse período aconteceu, eu equacionei, mas mantive-me firme; mantivemo-nos. Felizmente há dias assim, que fogem tanto à rotina que escolhemos que nos colocam a cabeça outra vez no eixo correcto.

24 de fevereiro de 2018

A festa do Pai foi mesmo boa**

O pai fez anos e eu empenhei-me em organizar um fim-de-semana em família em pleno Parque Natural da Serra da Estrela. Chamei os cunhados e primas e em modo segredo encontrámo-nos à hora de almoço. Foi muito bom, os miúdo loucos de alegria, brincaram até cair para o lado. Embora não houvesse muita neve, o tempo esteve maravilhoso e permitiu-nos gozar a nossa serra em todo o seu esplendor. Na zona da Torre, único sítio com neve, conseguimos brincar com o trenó e os escorregas, embora estivesse muuuuita gente, tal não nos impediu de aproveitar um par de horas em cada dia.







A par da neve, também aproveitámos para mostrar às crianças o Covão da Ametade que é sempre um local bonito seja em que altura do ano for. Inicialmente os miúdos ficaram tristes por não irmos para a neve, mas rapidamente mudaram de ideias, porque no Covão há muito que fazer! Entre apreciar a beleza do sítio, pudemos também atravessar o Zêzere saltitando nas pedras entre as margens, claro que os miúdos adoraram! A escalada também foi um ponto alto e todos subimos e descemos aquelas enormes pedras vezes sem conta. É sem dúvida um local a não perder quando forem à Serra; eu já lá tinha ido no outono, mas no inverno a beleza não fica nada atrás, creio que com neve será mesmo lindo!









Cá em casa todos fazemos anos no tempo quente, com praia, calor, gelados, piscina e por isso estou sempre a meter-me com o "meu mais velho" que o inverno é uma valente seca, no entanto, tenho de dar o braço a torcer pois este cenário também é o máximo.

Parabéns****




14 de fevereiro de 2018

Dias de folia


Este carnaval foi épico. Nada de grandes produções como de costume, mas os miúdos adoraram todos os dias. Ele foi festas nas escolas, teatro para um, ballet para as miúdas, almoço de família, almoço de amigos, tardes de brincadeira em casa dos melhores amigos, gelados, lanches, uma sequência de acontecimentos tão simples e que na verdade são sempre muito eficazes.

Num breve momento em que não choveu, calhou de finalmente fazermos a nossa expedição a uma fábrica abandonada que há imenso tempo já tínhamos vontade de ir. Eu e a minha "comadre" adoramos estas ruínas, podem ser industriais ou domésticas, mas o receio de irmos sozinhas ou mesmo as duas, nos impede a maioria das vezes. Ora sucede que depois do nosso almoço maravilhoso, não é tarde, nem é cedo que arrastámos os miúdos e os pais connosco e foi bem fixe.
As crianças vibraram imenso - os pais em choque - e nós sempre a incentivar à invasão da propriedade, a tirar fotos, a percorrer as divisões cheias de entulho, grafitadas, vidros partidos, restos de material de escritório e os miúdos sempre a correr divertidíssimos. No fim a minha mais velha só dizia que tinha adorado cada momento, que queria voltar e explorar tudo novamente e que foi "mesmo espetacular". E pronto é assim que se criam pequenos monstros curiosos, atiçando aquelas mentes porque de vez em quando podemos mesmo fazer tudo! É carnaval e ninguém leva a mal!

1 de fevereiro de 2018

Leituras de Janeiro - correu bem!



Entre muitos afazeres e poucas oportunidades para escrever aqui no blog, tive alguns momentos de leitura durante o mês de janeiro.

Finalmente terminei o livro Levantado do Chão de José Saramago, já escrevi sobre este tema umas duas vezes mas agora que o finalizei posso realmente dizer que é mais um título a estar entre os melhores do nosso Nobel. Embora a trama ande ali um pouco às voltas do mesmo, o que me desinteressou durante um tempo, a verdade é que a escrita é sempre muito, muito boa. A descrição da morte, dos casamentos, da pobreza, das desigualdades sociais está perfeita e volto a dizer que não há escritor com esta sensibilidade de escolha de palavras. É um livro sobre uma família, a Mau-Tempo, que desde o início do séc XX até ao 25 de abril vai  lutando num dia-a-dia de pobreza e esforço físico em que o Alentejo é o cenário. Gostei bastante e recomendo!

A seguir li o livro A Gorda, da Isabela Figueiredo. O que dizer? Eu estava com muitas expectativas porque tinha lido algumas críticas muito positivas e entusiasmadas sobre esta história, mas a verdade é que me deixou assim um pouco querer mais. Achei a personagem sempre muito arrogante e achei que o facto de ser gorda nem sempre terá sido bem explorada, nem a operação que entretanto realiza para combater o apetite. Mas o livro não está mal escrito, pelo contrário, há passagens bastante boas e que prendem, sobretudo à medida que o livro se aproxima do fim. Gostei mas não me convenceu.

Por fim li o Fim, da Fernanda Torres. Vi a referência a este livro na Pipoca Mais Doce e fiquei logo com vontade de o comprar porque sou muito fã da Fernanda Torres desde Os Normais, que eu adorava! O livro é muito bom, conta a história de 5 amigos (homens) desde a juventude nas décadas de 60-70-80 e que chegados aos anos 2000 já na velhice, começam a fazer uma retrospectiva de tudo o que fizeram. O livro está em português do Brasil, creio que não há adaptação do texto na edição que eu comprei o que para algumas pessoas poderá ser um problema, a mim não me aborrece. Quem não está muito por dentro da cultura brasileira e carioca pode por vezes ficar perdido em algumas expressões e até lugares, mas quem viu muita novela da Globo já tem meio caminho andado para se contextualizar. Muito bem escrito, linguagem masculina muito bem recriada, as festas, o mulherio, bacanais, calor, praia, cerveja, tem tudo aqui neste livro. Gostei muito!!



Agora vamos ver o que consigo ler em fevereiro :D

14 de janeiro de 2018

São Gonçalinho 2018




Entra ano, sai ano e decididamente não há festa com esta do nosso São Gonçalinho. Este ano estivemos pouco tempo mas foi o suficiente para nos rirmos imenso do "risco de vida" que corremos :D
Um mar de gente, um frio que gela, mas no meio do povo só há calor e muita brincadeira. Apanhámos duas cavacas, arrastámos os avós para o frio e foi muito bom!