18 de julho de 2017

Curso de natação intensivo - Gostamos disto!!

ilustração da Ana Seixas para a Magazine Georges

Quando as aulas acabaram começou uma coisa chamada férias, tempo de lazer e ócio, tempo de desligar o despertador até setembro e viver ao sabor do vento. Era bom que assim fosse, mas não nesta casa. Embora achássemos que os meninos merecessem uma folga, achámos por bem manter o ritmo alucinante mas com outras atividades.
O mais novo manteve-se na escola, portanto aqui tudo na mesma, mas a mais velha foi direitinha para o campo de férias. A par disso ainda teve de praticar ballet para o exame anual portanto os horários estavam minimamente iguais em termos de ritmo e exigência.
Entretanto em conversa com uma amiga soube que havia piscinas que faziam cursos intensivos de natação para quem não percebesse nada dessa prática, ou para quem quisesse aperfeiçoar a técnica. É que eu nem pestanejei! Fiz alguns telefonemas e assim que pude inscrevi os garotos em 12 aulas de natação durante 3 semanas. As aulas foram todas seguidas de modo a que os resultados fossem o mais progressivos possível e logo nas primeiras vezes comecei a notar um grande avanço no mais novo. Mais uma vez as crianças são peritas em surpreender-nos e se eu achava que era a irmã que ía dominar a piscina, a verdade é que o pequeno é que começou a dar sinais de sucesso mais depressa.

Ele está a evoluir muito bem, já está muito à vontade debaixo de água, está quase a boiar sozinho e já salta sem medo para dentro da piscina. Por outro lado, a irmã mostrou um bloqueio enorme em molhar a cara. Desde bebé que faz uma resistência imensa, faz-lhe impressão, chora no banho e também chorou na piscina. Durante muitas aulas foi incapaz de submergir a cabeça o que atrasou imenso o processo do curso, no entanto, ONTEM deu-se um milagre - finalmente conseguiu passar por debaixo do arco molhando a cabeça toda. Foi uma festa!!! A verdade é que aos poucos foi-se habituando e para isso as técnicas super discretas e eficazes dos professores tiveram uma importância espetacular. Eu tenho assistido a todas as aulas e fico fascinada a ver tanto os meus filhos como outras crianças muito pequenas a movimentarem-se dentro de água. A aula de hoje correu muito bem, ela estava tão, mas tão entusiasmada, relaxou imenso, conseguiu boiar sem parecer um espeto, e "mergulhou" variadíssimas vezes. Embora ainda lhe faça alguma impressão nos olhos, a partir de agora tenho a certeza de que irá aproveitar muito mais do curso, mesmo que já tenha ultrapassado metade das aulas...

Embora eu achasse que seria difícil eles saírem do curso intensivo a nadar perfeitamente, a verdade é que só o facto de encararem a água com maior à-vontade já me deixou bastante mais tranquila. As duas vezes que tentámos que eles praticassem natação foram um fiasco e finalmente este curso veio reverter este cenário. Já está decido que em setembro vão continuar, agora de forma semanal e não intensiva para aprenderem direitinho todas as modalidades e sossegar toda a nossa família que há vários anos nos vem chateando a cabeça pelo facto "de os meninos não saberem nadar"; situação resolvida!

Resumindo e concluindo, eu cá fiquei fã do curso intensivo, se poderia ser mais incisivo, podia, se podia ser mais individualizado também podia, no entanto, para o nosso caso serviu para quebrar o enguiço e isso já foi significativo. Re-co-men-do!

13 de julho de 2017

Sofia, a coralista

Eu tenho a sorte de ter umas amigas que são umas queridas, passam a vida a desafiar-me para ir com elas para as atividades que lhes dão mais prazer, ela é corridas, ela é yoga, ela é dança e até workshops culinários, o meu marido também me martela a cabeça para entrar para o ginásio e eu na minha inércia vou assobiando para o lado... Mas pela altura das férias da Páscoa aceitei o desafio de duas amigas minhas de começar a cantar no coro do conservatório de Aveiro. O curioso foi que ambas me falaram no coro (uma delas já frequenta há muitos anos e a outra era estreante) sem saber que ambas o faziam em simultâneo. Se as duas achavam que valia a pena então um dia lá fui experimentar. E não é que adorei!

Começámos então a estudar um conjunto de músicas e semana após semana o meu entusiasmo em vez de esmorecer como o costume, foi aumentando. À medida que ia conhecendo o grupo e que as músicas iam saindo minimamente afinadas achei que poderia estar perante "A minha atividade de tempos livres". Ir ao coro uma vez por semana começou a ser aquele momento em que eu dava por mim a despachar tudo rapidíssimo para poder ir cantar, desanuviar a cabeça do trabalho, da rotina das crianças, do cesto cheio de peúgas,... Quanto se diz que Quem Canta Seus Males Espanta tem toda a razão, cantar é efetivamente um grande escape, uma terapia e um momento em que um grupo enorme de adultos se senta num anfiteatro da escola e volta a sentir-se um adolescente do liceu. Ali não há bancários, não há professores, advogados, serralheiros, designers, há tão somente coralistas, contraltos, sopranos, tenores, baixos e os únicos dramas são falhar notas e tempos. É verdadeiramente terapêutico e retemperador.

O culminar de tantos ensaios é evidentemente o concerto. Após várias semanas de ensaios juntámo-nos aos alunos (5º ao 12º ano) e à orquestra e finalizámos o trabalho no parque que tantas vezes vamos brincar com os miúdos. O concerto foi no dia de abertura do Festival dos Canais e teve como único ponto negativo o vento gelado que se fez sentir; tivesse uma noite amena e teria sido bem mais agradável ao nosso público que ainda assim compareceu em grande número!! Subir a um palco foi praticamente uma estreia para mim, desde os meus tempos do 8º ou 9º ano que não me dedicava à música e enfrentar uma plateia é algo mesmo emocionante e talvez até viciante. Adorei todos os momentos, pareceu-me tudo perfeito, toda a gente estava motivada e contente por estar ali, foi muito bom. Para a minha alegria ser ainda maior tive a minha família e amigos a assistir, as crianças vibraram mas também houve quem tivesse sucumbido ao sono... :)

Se o primeiro concerto foi com a maravilhosa orquestra do conservatório, já o próximo, no sábado dia 15, será apenas acompanhado pelo piano e julgo que também será um espetáculo que vai valer muito a pena assistir. Tomem nota, dia 15 pelas 21:30 junto ao Hotel Meliá e depois Pedro Abrunhosa no palco do Cais da Fonte Nova, às 22:00!

Depois disto tudo, resta felicitar as minhas amigas pelo empenho que empregaram em me convencer de que isto era mesmo bom! Estou rendida à cantoria!



fotografias do meu excelentíssimo marido

11 de julho de 2017

o nosso sofá voltou


Estas fotografias estão separadas por quase cinco anos. Eu podia falar da diferença abismal que há entre o meu rapaz, de bebé passou a um rapazola esperto, mas na verdade vou falar no sofá.
O nosso sofá que era dos meus sogros e passou para os meus cunhados, um belo dia veio para nossa casa substituir um sofá ranhoso do Ikea. Embora tivesse cerca de 40 anos e apresentasse um desgaste estrutural notório eu achei que valia a pena ficar com ele. É um sofá-cama de casal, de linhas simples e cuja estrutura em madeira maciça não mexe um mm quando o tentamos arrastar, é sólido e dá bom dormir.
Entretanto quando mudámos de casa a nossa sala passou a ser significativamente maior e o sofá-cama foi para o quarto que ficou vazio para um dia passar para o quarto da L quando ela ficasse a dormir sem o irmão (ainda dormem juntos). Para a sala comprámos então dois sofás e assim ficámos durante quase dois anos. Há um tempo deu-me a comichão da mudança e meti na cabeça que afinal devíamos era recuperar o sofá antigo e trazê-lo novamente para a sala pois no quarto da miúda iria ocupar demasiado espaço para tão pouco uso. Se bem o pensei assim o fiz, arranjei maneira de vender um dos sofás da sala e com o dinheiro mandámos restaurar o sofá-cama.

O passo seguinte foi decidir a cor. Iríamos ficar com um sofá castanho na sala e olhando para as cores que nos rodeiam estivemos indecisos entre o amarelo mostarda, verde garrafa e azul petróleo - ganhou o amarelo mostarda. Formalmente optámos por modificar a divisão de três para dois "assentos", eliminámos aqueles painéis de madeira e substituímos os pés dando mais altura ao móvel.
Quando o sofá voltou do estofador foi como se a nossa sala tivesse ganho uma nova dimensão, era de facto a cor que faltava. Adoramos amarelo, é uma cor quente, confortável e que se calhar numa primeira abordagem até nem é muito considerada para uma peça tão grande, mas no conjunto e na nossa opinião, claro, ficou perfeito.

Eu adoro a minha casa, sempre que posso dou um jeitinho a um canto; lentamente vamos substituindo algumas peças que já cumpriram a sua missão. Se há coisa que eu não gosto é de monos, também não gosto de comprar por comprar, sempre que possível recuperamos móveis antigos com mais personalidade. Neste aspecto confesso-me um pouco viciada em vender as coisas que tenho para financiar outras compras e já tenho em vista novas substituições e para mim é isso que faz mais sentido, substituir e não acumular. Recuperar o que tem valor e passar adiante aquilo que já cumpriu ficou gasto.

O que vos parece? Acumular ou despachar? :)

A festa dos Dinossauros


Perguntei ao meu filho:
— Riqueza, qual é o tema que gostarias para a tua festa? Ao que ele me respondeu que seriam Dinossauros. Eu feita mãe-galinha que está cada vez mais mole fui na conversa e após muita deliberação sobre ONDE havíamos de fazer a festa, acabámos por optar pelo mais simples e fazer tudo em casa.
Claro que o mais simples não é necessariamente o mais fácil mas ainda assim, esta nossa produção caseira saiu muito bem, modéstia à parte. O tema "dinossauros" foi genérico, não tivemos nenhum personagem de qualquer filme blockbuster, foi uma festa alusiva digamos assim e a criançada ficou super entusiasmada.
Começámos na véspera a preparar o lanche e deixámos para o dia da festa "apenas" os últimos detalhes. As crianças, dentro das suas limitações, ajudaram em várias tarefas, enrolaram brigadeiros, fizeram areias (os bicoitos), puseram a mesa e empenharam-se imenso em fazer os marcadores.


Os marcadores foi uma coisa de que me lembrei à última, cortei uns retângulos 12x7cm inventei uns nomes jurássicos que lembrassem alguns pratos do lanche e ensinei os miúdos a fazer manchas de aguarelas. Para este efeito bastou apenas que molhassem bem o papel de aguarela e depois com pouquíssima tinta tingiram a água de tons claros e escuros. O nome foi escrito antes e a aguarela pintou por cima. O efeito foi muito bonito, os miúdos adoraram e por eles ficavam ali a manhã toda a pintar marcadores :D



O bolo foi sem dúvida o centro da festa e até agora continuo surpreendida por termos conseguido fazer tal e qual o que tínhamos pensado. Fizemos um pão de ló de 10 ovos, usámos uma forma redonda sem buraco para a base (esta forma normalmente precisa de uns 6 ovos grandes para o bolo ficar médio-alto) e outra forma de pudim mais pequena e com buraco para fazer a chaminé do vulcão (cerca de 4 ovos). A mistura foi feita toda junta e depois separámos as massas e cozemos os bolos juntos, correu tudo bem! O bolo mais pequeno depois de desenformado abateu ligeiramente num dos lados, mas isso até deu um certo realismo à nossa montanha :D
Sobrepusemos os bolos com compota na junção e depois cobrimos tudo com uma ganache maravilhosa de chocolate amargo. Para simular a lava usámos petazetas vermelhas, mas não correu muito bem porque começaram a rebentar em contacto com a cobertura, mas não foi grave, os miúdos comeram também diretamente do pacote Hehehehehe!

Brigadeiros, aquele clássico que nunca falta nas nossas festas. Desta vez substituí o chocolate granulado por cacau o que fez com que as crianças comessem menos porque nem todas estão habituadas ao amargo, mas os adultos não foram da mesma opinião :D


Os doces da nossa cidade também nunca podem faltar, ovos moles e raivas desapareceram num instante!

Também fiz gelatina que supostamente devia ter ficado com a fruta no meio mas a minha falta de técnica impediu este efeito. A minha ideia era fazer um âmbar com fósseis de fruta, mas como podem ver não deu certo... :)

As meninas mais crescidas ajeitavam os marcadores, alinhavam as travessas, adoraram tudo.


Sugeri que fizéssemos mini-pizas e isto foi um mega-sucesso!!
Foi o meu marido e o irmão dele que estiveram à frente deste processo e correu muito bem. Fizeram um molho de tomate rico e apurado, cortaram a massa em pequenos círculos que depois forraram formas de empada. As mini-pizas também levaram fiambre de perú, mozzarella de bufala e depois de prontas finalizámos com folhas de manjericão. Isto é mega! Toda a gente adorou e vamos passar a fazê-las sempre :D


Os nossos convidados, inspirados pelo convite, aderiram em força ao tema e o menino aniversariante foi presenteado com vários exemplares do período jurássico :))



No fim de contas acho que toda a gente gostou imenso deste bocadinho, os miúdos acabaram todos a jantar cá em casa, houve ballet, houve música, houve correria, gritaria, choradeira, mas sobretudo um convívio super bom e que temos a certeza que fez valer a pena todo o cansaço de organizar este simples lanchinho.
A todos que nos ajudaram e que estiveram connosco o nosso maior obrigado!

7 de julho de 2017

Inspiração para hoje

Feet, what do I need you for when I have wings to fly?




110 anos de Frida Kahlo


Já viram o filme? Vale a pena!

5 de julho de 2017

Ao deitar


— Então, tiveste um dia bom?
— Sim, eu adoro fazer anos! Mas eu não quero que tu envelheças!!

Querido filhinho***

5 anos!!!!


O nosso mais novo faz hoje 5 anos! Por mais que eu não queira, continuo a ver nele traços evidentes de bebé, mas esses traços se calhar só eu os vejo. Está esticado, está com um vocabulário muito bom, esperto como um rato, teimoso como uma mula. Tudo nele é em excesso, o choro, o riso, a birra, a pressa, a insistência e a mimalhice.
Querido Vasquinho és o nosso furacão, a nossa Pièce de Résistence, o nosso menino lindo.
Parabéns por fazeres a nossa vida mais feliz e tão emocionante há 5 anos.



2 de julho de 2017

2 de julho e os museus são grátis ao domingo


Há alguns meses li o seguinte texto da Raquel Varela e que passo a citar na íntegra:

"Filhos, sinal exterior de riqueza

Entre o Natal e o Ano Novo estive de férias. Fiz com os meus filhos o que queria fazer. Fui a bons concertos, adequados a eles, claro; levei-os a ver bons filmes (Ken Loach, Kusturica e Chaplin), cozinhámos juntos, tocámos piano, e sai música de lá!; andámos de trotinete; fizeram surf; até um cavalete de pintura comprámos, onde, com um livro de arte na mão, treinámos as primeiras tentativas de pintura a óleo; convidámos os amigos deles para sair; brincaram e passearam com a família, as primas, que adoram; lemos, muito, e conversámos sobre a leitura, jogámos cartas. Só em três idas ao cinema gastei quase 60 euros porque pagam como adultos; como algumas das vezes convidei os amigos, subiu para 100 euros, 20% do ordenado mínimo – ir ao cinema! Ah, têm 12 anos, mas pagam tudo como adultos: subir o elevador da bica – 3,70 cada; o bilhete de comboio da linha para Lisboa – nesse dia levei 4 crianças, 17 euros ida e volta; a entrada no castelo custa 8,50 para adultos – não entrámos, há limites…Juntem pinturas, pincéis, concerto, livros…A única coisa gratuita foi o Museu do Aljube, que adoraram, e as igrejas de Lisboa. Juntem uns gelados banais, uns hambúrguers, um chá com bolo em Alfama, sem luxos, passear na nossa cidade. Se tivesse ficado em casa tinha comprado duas playstation, uma para cada um, que os «educavam» o ano inteiro…Há muito tempo que tento dizer isto quando oiço dizer «no país há pobreza mas todos têm um bom telemóvel» – não há nada tão barato para educar filhos como Televisão e jogos de computador e telemóveis. É aí, no aumento da produtividade dos pais, no catatonismo anti-social e virtual dos filhos, que reside o boom das novas tecnologias para crianças que, ainda por cima, actuam no cérebro exactamente como uma droga, promovendo mecanismos de recompensação e satisfação ao nível do cérebro cada vez que estes tocam num botão e o boneco salta, porque o objectivo foi alcançado. 
Esta nova onda de babysitter electrónica é o espelho não da potencialidade da modernização mas da sua decadência. E deixem-me colocar o dedo na ferida – os pais, cansados, desanimados, com pouco dinheiro, desmoralizados e sem vontade de educar com conflitos, nãos, e outras resistências, serão os primeiros, porque a perversidade humana é uma linha ténue, a dizer «eles querem ficar em casa a jogar». Eles querem? E onde é que eles escolhem? E como escolhem? «Os pais submetem-se e submetem os filhos», disse-me uma vez o psicanalista e pedo psiquiatra Coimbra de Matos – os salários e o tempo de trabalho no país são vergonhosos. E o modo de vida que incorporámos para aceitar isto é regressivo, decadente. Viver está a ficar insuportavelmente caro neste modo de acumulação onde as necessidades humanas são todas mercantilizadas, até aquela que levou milhares de anos a conquistar – o direito à infância. Ter filhos e conseguir educá-los com humanidade, com relações reais, com aprendizagem e não com repetição de mecanismos, no fundo educar filhos com trabalho vivo (humano) e não trabalho morto (máquinas) é hoje um sinal exterior de riqueza."

Nem sempre, mas quase sempre que fazemos programas com os miúdos recordo-me deste texto.

A partir do dia de hoje, 2 de julho, as entradas nos museus aos domingos volta a ser gratuita, coisa que ficou suspensa desde há uns anos. Compreendo perfeitamente o preço que se paga para visitar uma exposição, seja ela qual for. Há imenso trabalho envolvido numa coleção de um museu, numa instalação temporária, há seguros, despesas logísticas e uma infinidade de outras despesas que têm de ser suportadas e a receita da bilheteira irá colmatar tudo isso. Enquanto a esmagadora maioria dos visitantes de museus pode arcar com essa despesa e comprar bilhetes com facilidade, há todo um universo de público que raramente visita um museu. Não têm liquidez para dar por pessoa, 15€ para um zoo ou oceanário, ou 12€ para visitar por exemplo a nova exposição de Van Gogh e nestes casos não se ganha o hábito de frequentar museus porque acredito que se parta do princípio que "é caro" e que 45€ são mais facilmente canalizados para a caixa do supermercado do que para um balcão de museu. Atendendo a este cenário acho que era imperativo que os domingos gratuitos nos museus regressassem, porque todos têm de ter acesso à cultura e só aí farão a sua escolha baseada no interesse cultural e não no aperto económico, verdade?
Ainda que haja esta decisão de entradas gratuitas nos museus, calhou de irmos hoje a um sítio que também tinha uma secção museológica e na verdade a entrada era paga... Portanto julgo que nem todos os museus estarão abrangidos por esta medida. Ainda assim, mais vale alguns aderirem do que nenhuns.

Embora haja exposições caras, justiça seja feita que também há uma infinidade de museus  e fundações cujos  espólios são disponibilizados ao público sempre gratuitos, ou com preços reduzidos o que dá sempre oportunidade de boas visitas, há é que aproveitar para justificar a necessidade destas organizações continuarem a financiar estes espaços, pois se não houver procura então para quê mantê-las?

A par dos museus, que nós consideramos sempre um excelente programa para fazer com as crianças, o cinema é também uma opção recorrente, sobretudo no inverno por anoitecer muito cedo e chover. Ao contrário de um bilhete de museu, custa-me IMENSO dar 6€ para ir ao cinema, acho que não se justifica este preço e até agradecia que me explicassem melhor como poderá ser rentável haver tantas salas de cinemas 3D, 4D, IMAX coiso, quando muitas vezes estão lá sentadas meia dúzia de pessoas?
Quando eu era miúda ir ao cinema era uma coisa banal, íamos com muita frequência em grandes grupos, as salas estavam sempre cheias e pagávamos aí uns 200escudos, isso é o quê 1€? Certo que em 20 anos a qualidade de som melhorou, a imagem também, mas os filmes continuam a mesma coisa, uns excelentes, outros péssimos, ou seja, tudo normal. Para uma família de 4, uma nota de 20€ não chega para ver um desenho animado!! É certo que as crianças ficam fascinadas e estamos a incutir-lhes o gosto pelo cinema e isso atenua o gasto, mas enfim, não havia necessidade...

Posto isto, fica a sugestão de olharem bem para as estatísticas de frequência das salas de cinema que temos hoje em Portugal. Há tanto shopping, cada um com uma dezena de salas, e aposto que na maior parte do tempo estas mesmas salas nunca esgotam. Compensará cobrar 6€ por um bilhete de cinema?

21 de junho de 2017

Chegámos ao fim do ano letivo



Chegámos ao fim do ano letivo e eu sinto que acabámos agora mesmo de correr a maratona - exaustos.
A última semana ainda não acabou mas faz de conta que sim porque o que falta já são uns momentos de convívio, atividades lúdicas e pouco mais. Foi hoje a prova de aferição de matemática para os alunos do segundo ano e em simultâneo tivemos greve dos professores mas onde foi decretado o serviço mínimo. As provas fizeram-se e à tarde "gozemos" então da greve...
Comparar este ano com uma maratona para mim faz todo o sentido, aumentámos a fasquia da complicação introduzindo o conservatório na equação semanal e foi tudo muito intenso, mesmo! Na escola os programas curriculares à excepção de matemática são bastante razoáveis e não merecem grandes comentários, porém há uma discrepância enorme face à matemática. Não achei que o programa fosse complexo vendo matéria por matéria, porém, achei que foram demasiadas matérias, demasiados conceitos, uma correria para conseguir espremer tudo nas semanas de aulas. Ele foi tabuada, ele foi multiplicação de frações, perímetros, massas, volumes, sólidos, decomposição de números, problemas de dois e três passos, muita abstração e pouco tempo para consolidar, para conversar sobre a matéria. Abro o livro desta disciplina e dou de caras com um capítulo "Organização e Tratamento de Dados Estatísticos", oh valha-me deus há necessidade? Tabelas de frequência absoluta e relativa?! Juro que fiquei chocada. Mais uma vez repito, não é pela complexidade da matéria, que muitas vezes é exposta de forma simplista e até infantil demais, mas há necessidade de introduzir tantos conteúdos?
As crianças ainda não deram a divisão de números inteiros e já dividem segmentos de reta com frações, já multiplicam números utilizando frações. Fazem a contagem do dinheiro com números decimais e conversões de unidades métricas. ELES TÊM 7 OU 8 ANOS!!! HELLOOOOO?!?!
Cálculo combinatório!?!

Uma criança desta idade consegue evidentemente absorver toda esta informação, há alunos geniais na turma na minha filha que são autenticas barras em cálculo mental e assim haverá em centenas de escolas. Mas e os outros? Aqueles que não têm aquele empurrão em casa e não estou a falar de crianças com carências económicas, falo de todos aqueles cujos pais não podem ou não querem ou não conseguem ajudar por falta de conhecimento. Essas crianças são apanhadas neste terramoto de informação e nem sabem o que lhes acontece. A matemática carece de muita prática, muito treino, é como um jogo. O desafio de resolver um problema e o entusiasmo de o acertar fica totalmente para segundo plano porque NÃO HÁ TEMPO A PERDER. E isto é no mínimo de lamentar.

Eu vi a minha filha aprender conteúdos que eu dei no ciclo e no secundário! Pergunto: daqui a uns 3 anos vão aprender o quê? Cálculo integral? Álgebra Linear? De que lhes serve conhecer tantos conceitos se muitas vezes olham para eles e efetivamente não os percebem?

Isto ultrapassa-me e tenho mesmo de o partilhar.

Mas enfim, acabámos a maratona, deitámos os bofes para fora. Aprendemos a tocar violoncelo, passos de ballet, muitas coisas importantes na escola. Agora é tempo de relaxar, brincar, nadar, desligar um pouco a mente.
Por aqui continuaremos no nosso vagar.

Até já e parabéns a todos os alunos que concluíram mais um ano escolar, vocês são os maiores!

nota: caso tenham interesse fica o link para as provas de aferição http://provas.iave.pt/np4/home/

19 de junho de 2017

música para hoje



Ainda sem palavras.
Impossível não nos termos lembrado do que nos aconteceu há quase um ano...

17 de junho de 2017

Serralves em Festa 2017

Este ano conseguimos finalmente regressar ao Serralves em Festa, a última vez que lá fomos já foi há 4 anos!! O dia esteve fantástico, um sol maravilhoso mas não muito calor, como fomos de manhã não havia propriamente uma multidão no parque e conseguimos desfrutar de tudo com muita calma. Para ajudar à festa, os avós do minho e as primas também foram e só terminámos o nosso dia ao fim da tarde depois de muito andar, conviver e brincar.

A primeira coisa que fizemos foi visitar a exposição do Miró, era o último fim-de-semana e quando entrámos nem havia fila, ao contrário do fim da tarde...
Os miúdos gostaram, as mais crescidas leram todas as legendas dos quadros e era giro vê-las tentar decifrar o título e encontrar o sujeito em cada obra. Os mais pequenos julgo que se identificaram bastante com esta estética :))




Depois daquele breve momento indoor, todo o resto do tempo foi passado no jardim sendo o prado um dos preferidos e onde assistimos a alguns concertos. É muito bom ver as crianças tão soltas e endiabradas e contagiadas pela música que se fazia ouvir. Na prática foi o nosso "primeiro festival" com as crianças e poder passar-lhes o nosso entusiasmo por este tipo de eventos é muito bom. Ainda há dias li um artigo (já não sei onde, é sempre a mesma coisa) onde se falava sobre esta questão: ir ou não ir com os filhos aos festivais, se os pais devem ser assim tão amigos e companheiros dos filhos. E o artigo era bastante assertivo tendo uma perspetiva que assentava mais na transmissão dos gostos dos pais do que na ideia de "controlar" os filhos sob o disfarce de uma amizade paternal despropositada. Criar nos filhos a memória de que fizemos coisas juntos é sempre positivo, transmitir aos filhos que gostamos de música, de pintura, de teatro, de montanhismo mesmo que isso não seja 100% do seu agrado acaba sempre por criar no futuro memórias que se tornarão gratificantes e construtivas. Claro que eu não tenho por objetivo ir a festivais com os meus filhos e com os amigos deles, cada coisa a seu tempo, mas acho importante que os meus filhos saibam que são ambientes que nós também frequentámos e que teríamos sempre prazer em partilhar com eles caso se proporcionasse. Quem diz festivais de música diz qualquer outra atividade...

A par da música também as atividades pedagógicas cativaram imenso os garotos, todos fizeram máscaras e adereços para o cabelo utilizando materiais do parque. Os monitores eram todos muito porreiros e foi sempre o cabo dos trabalhos arrancar os miúdos das tendas.




As primeiras junto às grades, a coisa promete!


Foi também no prado, neste grande relvado que nos deitámos todos a ouvir um concerto de trompetes e que eu apanhei o meu primeiro escaldão na cara desde há milhões de anos. Foi um erro básico, estava um vento bastante fresco e até forte, mas o sol estava totalmente aberto; aqui a vossa amiga deitou-se durante um bom bocado a passar pelas brasas e pinfas foi o que bastou para nessa noite ficar em modo paprika.


Entretanto estivemos numa zona onde os miúdos exploraram as árvores do parque, analisaram as folhas, frutos e até parasitas. Aprenderam a medir a altura das árvores e cada um com a sua lupa ali andaram quais cientistas a ver tudo.





É sempre bom regressar ao parque, está naturalmente muito bem cuidado e em todos os recantos há coisas bonitas para ver. Infelizmente ainda não foi desta vez que fomos ao Museu de Arte Contemporânea, mas lá chegaremos um dia destes!






13 de junho de 2017

Uma volta pela história da arte


Quando fomos às Caldas tivemos também o aniversário do nosso sobrinho mais novo e aproveitámos a ocasião para ficar em Lisboa. No dia seguinte fomos então fazer aquilo que mais gostamos: passear!! Enchemo-nos de coragem e fomos para a zona de Belém que tal como imaginámos estava APINHADA de gente, incontáveis excursões, uma caminhada qualquer, ruas totalmente cheias de gente e carros mas ainda assim mantivemos o nosso plano.



O nosso primeiro ponto de paragem foi o novo Museu dos Coches. Eu já o conhecia bem no antigo edifício mas desde que abriu a nova "garagem" ainda não tínhamos tido oportunidade de visitar. Tivemos sorte que apanhámos as entradas gratuitas para assinalar a reabertura desta exposição. Ao que parece o novo espaço quando abriu não foi consensual na distribuição dos coches nem tão-pouco na sinalética ou cronologia, portanto abriu, fechou e reabriu com tudo organizado, bem iluminado e datado. Pessoalmente confesso que foi com muito cepticismo que vi a criação deste espaço, na verdade não havia necessidade no entanto foi com agrado que vi os coches renascerem da escuridão que era o antigo espaço. Agora a observação do espólio é desafogada, limpa, podemos circular em torno de cada carruagem e muito sinceramente a coleção saiu valorizada e isso para mim já valeu a pena a mudança, contudo há sempre muitos problemas colaterais que enfim todos sabemos que são desnecessários como os orçamentos de obra que derrapam, a despesa energética que é brutal, etc etc etc

Foquemo-nos então no principal, as reações dos miúdos. As crianças gostaram imenso claro, pudemos explicar-lhes com detalhe a evolução do coche até ao automóvel, eles viram os pregos, os detalhes decorativos, o brilho da talha, o início dos transportes coletivos, de elite e de serviços, acho que compreenderam bem a mensagem do museu. Gostaram também imenso das projeções que havia nas paredes e que ajudavam a contextualizar os coches, o ambiente minimalista do espaço é também complementado com música barroca e fica muito muito bem.

 "Mãe, agora tira-me uma foto com o coche"

Este coche dos oceanos é um verdadeiro sucesso e da maneira como está exposto não é caso para menos. Não me recordo de ter este impacto no antigo espaço, de facto...

As projeções multimédia sobre a coleção - ajudaram na contextualização histórica e documentação dos processos de restauro e conservação.



Na rua tivemos a oportunidade de ver um bocadinho do render da guarda em frente ao Palácio de Belém (não sei o nome mas já tinha visto esta parada quando era miúda).

Depois de almoçarmos continuamos o nosso passeio do outro lado da linha de comboio e fomos ao MAAT. O contraste não podia ser maior e creio que as imagens falam por si. Lisboa está uma cidade tão linda quanto caótica mas é sempre um prazer regressar, passear e mostrar todas estas novidades às crianças.






A exposição no MAAT era sobre as cidades, a utopia, o caos, o futuro. As crianças embora consigam identificar os objetos porque são na sua maioria de uso quotidiano, a verdade é que por vezes ficam bastante impressionadas com as instalações. Consegue identificar mensagens de guerra, de mensagens em excesso, gostam sempre muito das projeções!




Realidade aumentada, um sucesso.





Tão bom como a exposição foi a subida ao topo do edifício :D "Não é todos os dias que podemos andar no telhado de um prédio" diziam eles :D
A vista vale muito a pena, a arquitetura é muito impactante, vale a pena cá vir sem dúvida, mas achei o espaço interior pequeno, ou pelo menos imaginei que a exposição fosse mais extensa e isso foi pena.





À esquerda o Museu dos Coches, à direita o MAAT e Museu da Eletricidade.

Uma das coisas que mais gosto, o antigo e o contemporâneo sempre em simultâneo.

Os meninos também viram Jacarandás em flor com fartura.

Por fim ainda arriscámos os Jerónimos. Eram hordas de turistas socorro! Ficamos-nos apenas pela igreja e nem nos atrevemos a meter na fila para os claustros. Deu para visitar Camões e Vasco da Gama, explicar o que é o estilo Manuelino e ficar impressionado com a diferença que era visitar todos estes espaços há meia dúzia de anos praticamente vazios e agora é o verdadeiro teste aos nervos.



Por fim missão cumprida, muita cultura visual, um dia em cheio e crianças esgotadas ;)
Pode ser que em breve voltemos.