18 de julho de 2017

Curso de natação intensivo - Gostamos disto!!

ilustração da Ana Seixas para a Magazine Georges

Quando as aulas acabaram começou uma coisa chamada férias, tempo de lazer e ócio, tempo de desligar o despertador até setembro e viver ao sabor do vento. Era bom que assim fosse, mas não nesta casa. Embora achássemos que os meninos merecessem uma folga, achámos por bem manter o ritmo alucinante mas com outras atividades.
O mais novo manteve-se na escola, portanto aqui tudo na mesma, mas a mais velha foi direitinha para o campo de férias. A par disso ainda teve de praticar ballet para o exame anual portanto os horários estavam minimamente iguais em termos de ritmo e exigência.
Entretanto em conversa com uma amiga soube que havia piscinas que faziam cursos intensivos de natação para quem não percebesse nada dessa prática, ou para quem quisesse aperfeiçoar a técnica. É que eu nem pestanejei! Fiz alguns telefonemas e assim que pude inscrevi os garotos em 12 aulas de natação durante 3 semanas. As aulas foram todas seguidas de modo a que os resultados fossem o mais progressivos possível e logo nas primeiras vezes comecei a notar um grande avanço no mais novo. Mais uma vez as crianças são peritas em surpreender-nos e se eu achava que era a irmã que ía dominar a piscina, a verdade é que o pequeno é que começou a dar sinais de sucesso mais depressa.

Ele está a evoluir muito bem, já está muito à vontade debaixo de água, está quase a boiar sozinho e já salta sem medo para dentro da piscina. Por outro lado, a irmã mostrou um bloqueio enorme em molhar a cara. Desde bebé que faz uma resistência imensa, faz-lhe impressão, chora no banho e também chorou na piscina. Durante muitas aulas foi incapaz de submergir a cabeça o que atrasou imenso o processo do curso, no entanto, ONTEM deu-se um milagre - finalmente conseguiu passar por debaixo do arco molhando a cabeça toda. Foi uma festa!!! A verdade é que aos poucos foi-se habituando e para isso as técnicas super discretas e eficazes dos professores tiveram uma importância espetacular. Eu tenho assistido a todas as aulas e fico fascinada a ver tanto os meus filhos como outras crianças muito pequenas a movimentarem-se dentro de água. A aula de hoje correu muito bem, ela estava tão, mas tão entusiasmada, relaxou imenso, conseguiu boiar sem parecer um espeto, e "mergulhou" variadíssimas vezes. Embora ainda lhe faça alguma impressão nos olhos, a partir de agora tenho a certeza de que irá aproveitar muito mais do curso, mesmo que já tenha ultrapassado metade das aulas...

Embora eu achasse que seria difícil eles saírem do curso intensivo a nadar perfeitamente, a verdade é que só o facto de encararem a água com maior à-vontade já me deixou bastante mais tranquila. As duas vezes que tentámos que eles praticassem natação foram um fiasco e finalmente este curso veio reverter este cenário. Já está decido que em setembro vão continuar, agora de forma semanal e não intensiva para aprenderem direitinho todas as modalidades e sossegar toda a nossa família que há vários anos nos vem chateando a cabeça pelo facto "de os meninos não saberem nadar"; situação resolvida!

Resumindo e concluindo, eu cá fiquei fã do curso intensivo, se poderia ser mais incisivo, podia, se podia ser mais individualizado também podia, no entanto, para o nosso caso serviu para quebrar o enguiço e isso já foi significativo. Re-co-men-do!

13 de julho de 2017

Sofia, a coralista

Eu tenho a sorte de ter umas amigas que são umas queridas, passam a vida a desafiar-me para ir com elas para as atividades que lhes dão mais prazer, ela é corridas, ela é yoga, ela é dança e até workshops culinários, o meu marido também me martela a cabeça para entrar para o ginásio e eu na minha inércia vou assobiando para o lado... Mas pela altura das férias da Páscoa aceitei o desafio de duas amigas minhas de começar a cantar no coro do conservatório de Aveiro. O curioso foi que ambas me falaram no coro (uma delas já frequenta há muitos anos e a outra era estreante) sem saber que ambas o faziam em simultâneo. Se as duas achavam que valia a pena então um dia lá fui experimentar. E não é que adorei!

Começámos então a estudar um conjunto de músicas e semana após semana o meu entusiasmo em vez de esmorecer como o costume, foi aumentando. À medida que ia conhecendo o grupo e que as músicas iam saindo minimamente afinadas achei que poderia estar perante "A minha atividade de tempos livres". Ir ao coro uma vez por semana começou a ser aquele momento em que eu dava por mim a despachar tudo rapidíssimo para poder ir cantar, desanuviar a cabeça do trabalho, da rotina das crianças, do cesto cheio de peúgas,... Quanto se diz que Quem Canta Seus Males Espanta tem toda a razão, cantar é efetivamente um grande escape, uma terapia e um momento em que um grupo enorme de adultos se senta num anfiteatro da escola e volta a sentir-se um adolescente do liceu. Ali não há bancários, não há professores, advogados, serralheiros, designers, há tão somente coralistas, contraltos, sopranos, tenores, baixos e os únicos dramas são falhar notas e tempos. É verdadeiramente terapêutico e retemperador.

O culminar de tantos ensaios é evidentemente o concerto. Após várias semanas de ensaios juntámo-nos aos alunos (5º ao 12º ano) e à orquestra e finalizámos o trabalho no parque que tantas vezes vamos brincar com os miúdos. O concerto foi no dia de abertura do Festival dos Canais e teve como único ponto negativo o vento gelado que se fez sentir; tivesse uma noite amena e teria sido bem mais agradável ao nosso público que ainda assim compareceu em grande número!! Subir a um palco foi praticamente uma estreia para mim, desde os meus tempos do 8º ou 9º ano que não me dedicava à música e enfrentar uma plateia é algo mesmo emocionante e talvez até viciante. Adorei todos os momentos, pareceu-me tudo perfeito, toda a gente estava motivada e contente por estar ali, foi muito bom. Para a minha alegria ser ainda maior tive a minha família e amigos a assistir, as crianças vibraram mas também houve quem tivesse sucumbido ao sono... :)

Se o primeiro concerto foi com a maravilhosa orquestra do conservatório, já o próximo, no sábado dia 15, será apenas acompanhado pelo piano e julgo que também será um espetáculo que vai valer muito a pena assistir. Tomem nota, dia 15 pelas 21:30 junto ao Hotel Meliá e depois Pedro Abrunhosa no palco do Cais da Fonte Nova, às 22:00!

Depois disto tudo, resta felicitar as minhas amigas pelo empenho que empregaram em me convencer de que isto era mesmo bom! Estou rendida à cantoria!



fotografias do meu excelentíssimo marido

11 de julho de 2017

o nosso sofá voltou


Estas fotografias estão separadas por quase cinco anos. Eu podia falar da diferença abismal que há entre o meu rapaz, de bebé passou a um rapazola esperto, mas na verdade vou falar no sofá.
O nosso sofá que era dos meus sogros e passou para os meus cunhados, um belo dia veio para nossa casa substituir um sofá ranhoso do Ikea. Embora tivesse cerca de 40 anos e apresentasse um desgaste estrutural notório eu achei que valia a pena ficar com ele. É um sofá-cama de casal, de linhas simples e cuja estrutura em madeira maciça não mexe um mm quando o tentamos arrastar, é sólido e dá bom dormir.
Entretanto quando mudámos de casa a nossa sala passou a ser significativamente maior e o sofá-cama foi para o quarto que ficou vazio para um dia passar para o quarto da L quando ela ficasse a dormir sem o irmão (ainda dormem juntos). Para a sala comprámos então dois sofás e assim ficámos durante quase dois anos. Há um tempo deu-me a comichão da mudança e meti na cabeça que afinal devíamos era recuperar o sofá antigo e trazê-lo novamente para a sala pois no quarto da miúda iria ocupar demasiado espaço para tão pouco uso. Se bem o pensei assim o fiz, arranjei maneira de vender um dos sofás da sala e com o dinheiro mandámos restaurar o sofá-cama.

O passo seguinte foi decidir a cor. Iríamos ficar com um sofá castanho na sala e olhando para as cores que nos rodeiam estivemos indecisos entre o amarelo mostarda, verde garrafa e azul petróleo - ganhou o amarelo mostarda. Formalmente optámos por modificar a divisão de três para dois "assentos", eliminámos aqueles painéis de madeira e substituímos os pés dando mais altura ao móvel.
Quando o sofá voltou do estofador foi como se a nossa sala tivesse ganho uma nova dimensão, era de facto a cor que faltava. Adoramos amarelo, é uma cor quente, confortável e que se calhar numa primeira abordagem até nem é muito considerada para uma peça tão grande, mas no conjunto e na nossa opinião, claro, ficou perfeito.

Eu adoro a minha casa, sempre que posso dou um jeitinho a um canto; lentamente vamos substituindo algumas peças que já cumpriram a sua missão. Se há coisa que eu não gosto é de monos, também não gosto de comprar por comprar, sempre que possível recuperamos móveis antigos com mais personalidade. Neste aspecto confesso-me um pouco viciada em vender as coisas que tenho para financiar outras compras e já tenho em vista novas substituições e para mim é isso que faz mais sentido, substituir e não acumular. Recuperar o que tem valor e passar adiante aquilo que já cumpriu ficou gasto.

O que vos parece? Acumular ou despachar? :)

A festa dos Dinossauros


Perguntei ao meu filho:
— Riqueza, qual é o tema que gostarias para a tua festa? Ao que ele me respondeu que seriam Dinossauros. Eu feita mãe-galinha que está cada vez mais mole fui na conversa e após muita deliberação sobre ONDE havíamos de fazer a festa, acabámos por optar pelo mais simples e fazer tudo em casa.
Claro que o mais simples não é necessariamente o mais fácil mas ainda assim, esta nossa produção caseira saiu muito bem, modéstia à parte. O tema "dinossauros" foi genérico, não tivemos nenhum personagem de qualquer filme blockbuster, foi uma festa alusiva digamos assim e a criançada ficou super entusiasmada.
Começámos na véspera a preparar o lanche e deixámos para o dia da festa "apenas" os últimos detalhes. As crianças, dentro das suas limitações, ajudaram em várias tarefas, enrolaram brigadeiros, fizeram areias (os bicoitos), puseram a mesa e empenharam-se imenso em fazer os marcadores.


Os marcadores foi uma coisa de que me lembrei à última, cortei uns retângulos 12x7cm inventei uns nomes jurássicos que lembrassem alguns pratos do lanche e ensinei os miúdos a fazer manchas de aguarelas. Para este efeito bastou apenas que molhassem bem o papel de aguarela e depois com pouquíssima tinta tingiram a água de tons claros e escuros. O nome foi escrito antes e a aguarela pintou por cima. O efeito foi muito bonito, os miúdos adoraram e por eles ficavam ali a manhã toda a pintar marcadores :D



O bolo foi sem dúvida o centro da festa e até agora continuo surpreendida por termos conseguido fazer tal e qual o que tínhamos pensado. Fizemos um pão de ló de 10 ovos, usámos uma forma redonda sem buraco para a base (esta forma normalmente precisa de uns 6 ovos grandes para o bolo ficar médio-alto) e outra forma de pudim mais pequena e com buraco para fazer a chaminé do vulcão (cerca de 4 ovos). A mistura foi feita toda junta e depois separámos as massas e cozemos os bolos juntos, correu tudo bem! O bolo mais pequeno depois de desenformado abateu ligeiramente num dos lados, mas isso até deu um certo realismo à nossa montanha :D
Sobrepusemos os bolos com compota na junção e depois cobrimos tudo com uma ganache maravilhosa de chocolate amargo. Para simular a lava usámos petazetas vermelhas, mas não correu muito bem porque começaram a rebentar em contacto com a cobertura, mas não foi grave, os miúdos comeram também diretamente do pacote Hehehehehe!

Brigadeiros, aquele clássico que nunca falta nas nossas festas. Desta vez substituí o chocolate granulado por cacau o que fez com que as crianças comessem menos porque nem todas estão habituadas ao amargo, mas os adultos não foram da mesma opinião :D


Os doces da nossa cidade também nunca podem faltar, ovos moles e raivas desapareceram num instante!

Também fiz gelatina que supostamente devia ter ficado com a fruta no meio mas a minha falta de técnica impediu este efeito. A minha ideia era fazer um âmbar com fósseis de fruta, mas como podem ver não deu certo... :)

As meninas mais crescidas ajeitavam os marcadores, alinhavam as travessas, adoraram tudo.


Sugeri que fizéssemos mini-pizas e isto foi um mega-sucesso!!
Foi o meu marido e o irmão dele que estiveram à frente deste processo e correu muito bem. Fizeram um molho de tomate rico e apurado, cortaram a massa em pequenos círculos que depois forraram formas de empada. As mini-pizas também levaram fiambre de perú, mozzarella de bufala e depois de prontas finalizámos com folhas de manjericão. Isto é mega! Toda a gente adorou e vamos passar a fazê-las sempre :D


Os nossos convidados, inspirados pelo convite, aderiram em força ao tema e o menino aniversariante foi presenteado com vários exemplares do período jurássico :))



No fim de contas acho que toda a gente gostou imenso deste bocadinho, os miúdos acabaram todos a jantar cá em casa, houve ballet, houve música, houve correria, gritaria, choradeira, mas sobretudo um convívio super bom e que temos a certeza que fez valer a pena todo o cansaço de organizar este simples lanchinho.
A todos que nos ajudaram e que estiveram connosco o nosso maior obrigado!

7 de julho de 2017

Inspiração para hoje

Feet, what do I need you for when I have wings to fly?




110 anos de Frida Kahlo


Já viram o filme? Vale a pena!

5 de julho de 2017

Ao deitar


— Então, tiveste um dia bom?
— Sim, eu adoro fazer anos! Mas eu não quero que tu envelheças!!

Querido filhinho***

5 anos!!!!


O nosso mais novo faz hoje 5 anos! Por mais que eu não queira, continuo a ver nele traços evidentes de bebé, mas esses traços se calhar só eu os vejo. Está esticado, está com um vocabulário muito bom, esperto como um rato, teimoso como uma mula. Tudo nele é em excesso, o choro, o riso, a birra, a pressa, a insistência e a mimalhice.
Querido Vasquinho és o nosso furacão, a nossa Pièce de Résistence, o nosso menino lindo.
Parabéns por fazeres a nossa vida mais feliz e tão emocionante há 5 anos.



2 de julho de 2017

2 de julho e os museus são grátis ao domingo


Há alguns meses li o seguinte texto da Raquel Varela e que passo a citar na íntegra:

"Filhos, sinal exterior de riqueza

Entre o Natal e o Ano Novo estive de férias. Fiz com os meus filhos o que queria fazer. Fui a bons concertos, adequados a eles, claro; levei-os a ver bons filmes (Ken Loach, Kusturica e Chaplin), cozinhámos juntos, tocámos piano, e sai música de lá!; andámos de trotinete; fizeram surf; até um cavalete de pintura comprámos, onde, com um livro de arte na mão, treinámos as primeiras tentativas de pintura a óleo; convidámos os amigos deles para sair; brincaram e passearam com a família, as primas, que adoram; lemos, muito, e conversámos sobre a leitura, jogámos cartas. Só em três idas ao cinema gastei quase 60 euros porque pagam como adultos; como algumas das vezes convidei os amigos, subiu para 100 euros, 20% do ordenado mínimo – ir ao cinema! Ah, têm 12 anos, mas pagam tudo como adultos: subir o elevador da bica – 3,70 cada; o bilhete de comboio da linha para Lisboa – nesse dia levei 4 crianças, 17 euros ida e volta; a entrada no castelo custa 8,50 para adultos – não entrámos, há limites…Juntem pinturas, pincéis, concerto, livros…A única coisa gratuita foi o Museu do Aljube, que adoraram, e as igrejas de Lisboa. Juntem uns gelados banais, uns hambúrguers, um chá com bolo em Alfama, sem luxos, passear na nossa cidade. Se tivesse ficado em casa tinha comprado duas playstation, uma para cada um, que os «educavam» o ano inteiro…Há muito tempo que tento dizer isto quando oiço dizer «no país há pobreza mas todos têm um bom telemóvel» – não há nada tão barato para educar filhos como Televisão e jogos de computador e telemóveis. É aí, no aumento da produtividade dos pais, no catatonismo anti-social e virtual dos filhos, que reside o boom das novas tecnologias para crianças que, ainda por cima, actuam no cérebro exactamente como uma droga, promovendo mecanismos de recompensação e satisfação ao nível do cérebro cada vez que estes tocam num botão e o boneco salta, porque o objectivo foi alcançado. 
Esta nova onda de babysitter electrónica é o espelho não da potencialidade da modernização mas da sua decadência. E deixem-me colocar o dedo na ferida – os pais, cansados, desanimados, com pouco dinheiro, desmoralizados e sem vontade de educar com conflitos, nãos, e outras resistências, serão os primeiros, porque a perversidade humana é uma linha ténue, a dizer «eles querem ficar em casa a jogar». Eles querem? E onde é que eles escolhem? E como escolhem? «Os pais submetem-se e submetem os filhos», disse-me uma vez o psicanalista e pedo psiquiatra Coimbra de Matos – os salários e o tempo de trabalho no país são vergonhosos. E o modo de vida que incorporámos para aceitar isto é regressivo, decadente. Viver está a ficar insuportavelmente caro neste modo de acumulação onde as necessidades humanas são todas mercantilizadas, até aquela que levou milhares de anos a conquistar – o direito à infância. Ter filhos e conseguir educá-los com humanidade, com relações reais, com aprendizagem e não com repetição de mecanismos, no fundo educar filhos com trabalho vivo (humano) e não trabalho morto (máquinas) é hoje um sinal exterior de riqueza."

Nem sempre, mas quase sempre que fazemos programas com os miúdos recordo-me deste texto.

A partir do dia de hoje, 2 de julho, as entradas nos museus aos domingos volta a ser gratuita, coisa que ficou suspensa desde há uns anos. Compreendo perfeitamente o preço que se paga para visitar uma exposição, seja ela qual for. Há imenso trabalho envolvido numa coleção de um museu, numa instalação temporária, há seguros, despesas logísticas e uma infinidade de outras despesas que têm de ser suportadas e a receita da bilheteira irá colmatar tudo isso. Enquanto a esmagadora maioria dos visitantes de museus pode arcar com essa despesa e comprar bilhetes com facilidade, há todo um universo de público que raramente visita um museu. Não têm liquidez para dar por pessoa, 15€ para um zoo ou oceanário, ou 12€ para visitar por exemplo a nova exposição de Van Gogh e nestes casos não se ganha o hábito de frequentar museus porque acredito que se parta do princípio que "é caro" e que 45€ são mais facilmente canalizados para a caixa do supermercado do que para um balcão de museu. Atendendo a este cenário acho que era imperativo que os domingos gratuitos nos museus regressassem, porque todos têm de ter acesso à cultura e só aí farão a sua escolha baseada no interesse cultural e não no aperto económico, verdade?
Ainda que haja esta decisão de entradas gratuitas nos museus, calhou de irmos hoje a um sítio que também tinha uma secção museológica e na verdade a entrada era paga... Portanto julgo que nem todos os museus estarão abrangidos por esta medida. Ainda assim, mais vale alguns aderirem do que nenhuns.

Embora haja exposições caras, justiça seja feita que também há uma infinidade de museus  e fundações cujos  espólios são disponibilizados ao público sempre gratuitos, ou com preços reduzidos o que dá sempre oportunidade de boas visitas, há é que aproveitar para justificar a necessidade destas organizações continuarem a financiar estes espaços, pois se não houver procura então para quê mantê-las?

A par dos museus, que nós consideramos sempre um excelente programa para fazer com as crianças, o cinema é também uma opção recorrente, sobretudo no inverno por anoitecer muito cedo e chover. Ao contrário de um bilhete de museu, custa-me IMENSO dar 6€ para ir ao cinema, acho que não se justifica este preço e até agradecia que me explicassem melhor como poderá ser rentável haver tantas salas de cinemas 3D, 4D, IMAX coiso, quando muitas vezes estão lá sentadas meia dúzia de pessoas?
Quando eu era miúda ir ao cinema era uma coisa banal, íamos com muita frequência em grandes grupos, as salas estavam sempre cheias e pagávamos aí uns 200escudos, isso é o quê 1€? Certo que em 20 anos a qualidade de som melhorou, a imagem também, mas os filmes continuam a mesma coisa, uns excelentes, outros péssimos, ou seja, tudo normal. Para uma família de 4, uma nota de 20€ não chega para ver um desenho animado!! É certo que as crianças ficam fascinadas e estamos a incutir-lhes o gosto pelo cinema e isso atenua o gasto, mas enfim, não havia necessidade...

Posto isto, fica a sugestão de olharem bem para as estatísticas de frequência das salas de cinema que temos hoje em Portugal. Há tanto shopping, cada um com uma dezena de salas, e aposto que na maior parte do tempo estas mesmas salas nunca esgotam. Compensará cobrar 6€ por um bilhete de cinema?